pequenos pareceres #12
um catadão de pareceres ao longo do ano
Segue alguns textos que acumulei, uns já estão por aí na internet, outros deixei guardado pra quando fosse emitir um novo Pequeno Parecer.
Aprendi com o Pablo Vilhaça a não postar coisas numa só "rede social" ou plataforma pra evitar de ficar na mão de algum milionário divorciado e careca, e como o site Letterboxd deve assustar bastante gente, vou colocar aqui alguns textos que me empolguei em escrever por lá.
Podcasts
Inside of You with Michael Rosenbaum E266: FRANK GRILLO: Changing His Life, New DC Film, Making Liam Neeson Cry & Punching Ryan Reinalds (review de 28/07/2023)
Com 10 minutos de programa me perguntei por que raios eu tinha colocado esse daqui na lista, baixei e estava escutando o programa com um host que nem gosto tanto entrevistando um ator que está longe de ser a classe A de Hollywood hoje e que nunca chegou a fazer nada que me marcou muito, nem no profissional ou no pessoal. Eu realmente não sei responder exatamente a pergunta, mas com o decorrer do programa tive uma grande noção da razão que minha mente trabalhou pra me importar com uma entrevista com Frank Grillo: justamente por não ser tão famoso, não ser protagonista de nenhum blockbuster, passar longe das indicações de prêmio, e por parecer esse cara tão durão, um brucutu da vida real, sem glamour, beleza ou músculos, me dando a possibilidade de acreditar que o espaço de um podcast apresentado por outro famoso daria a chance dele se apresentar de um jeito mais sincero, honesto, e ainda contar boas histórias. Lógico que foi um total tiro no escuro, eu nem sequer sei direto a filmografia dele, nunca digitei seu nome no Google ou em alguma rede social, nada me deu muita pista de que a conversa com essa pessoa seria interessante, e por isso mesmo tive tanta sorte. O cara não tem nada de especial, é um sujeito trabalhador, operário da atuação, faz um volume de capanga nos filmes, ganhou até um destaque bem pequeno no Capitão América: Soldado Invernal, mas nada memorável a ponto de eu me lembrar dele anos depois em Guerra Civil, e conhecendo sua vida melhor a gente percebe que ele é realmente esse profissional empenhado, sem tanto estrelismo, muito dedicado nas luta, tanto como esporte quanto como arte, que é aberto com seus problemas sobre saúde mental e tem filhos de quem se orgulha.
Talvez tenha também o fator Michael Rosenbaum. Combina demais com ele, sua persona e a estrutura de seu programa ter alguém como Frank Grillo, Krysten Ritter e Joel McHale (que foram os outros entrevistados que já escutei; já ouviu falar deles?), do que Brad Pitt, Nicole Kidman e Jamie Foxx como faz o Marc Maron no WTF. Marc Maron precisa esquecer que esses artistas reluzem e trazer a conversa pra um lugar confortável, ao mesmo tempo pessoal, onde a gente se sente privilegiado de escutar essas pessoas parecerem tão espontâneas, e essa é a genialidade de Marc. Já Michael é muito menos sagaz, sutil ou sequer preparado. Ele confia demais no seu próprio carisma e no seu jeito bonachão de ser pra fazer o convidado se sentir à vontade. Ele se coloca como esse ator que fez um sucesso em um período curto, há décadas atrás, que nunca realmente "chegou lá", e assim consegue alcançar a simpatia e confiança dos entrevistados, na maioria atores, que ainda estão na batalha e até sabem que talvez nunca chegarão no patamar astronômico. Lógico que esse "chegar lá" e tal patamar é coisa da minha cabeça, de gente que mede o sucesso de pessoas super bem sucedidas pelo tamanho da fama que elas tem, e jamais é realmente uma pauta de qualquer programa que tenha famosos como convidados, porém é algo não dito que é muito claro pra mim. E também o programa passa longe de ser uma lamentação dos rumos que cada um escolheu na carreira, mas o tom da conversa de cada um se sentir grato com os trabalhos que tiveram, e os colegas de profissão mais badalados que conheceram, acaba parecendo algo como "aceitamos o que temos". E sinceramente, acho isso ótimo, mesmo que de fato não haja arrependimentos nem tristeza com o que poderia ter sido. Talvez seja só projeção minha. A conexão que eu sinto com esses famosos no programa do Michael Rosenbaum é mais autentica; eu consigo entender muito mais a dificuldade e os obstáculos da vida e profissão dessas pessoas do que das do programa do Marc Maron, só pra usar de exemplo. Ninguém liga quando o Brad Pitt reclama de não conseguir andar na rua, que se dane ele, mas quando a gente vê a Krysten Ritter reclamar que um cara na rua sabe que ela é famosa, e fica enchendo o saco pra que ela diga da onde, dá pra entender totalmente.
Me irrita um pouco quando o ex Lex Luthor perde um pouco a graça com muita brincadeirinha, mas ele sabe fazer umas imitações muito boas que não tem como não rir. Até hoje não escutei uma edição onde ele não demonstrasse real afeto e admiração por seus convidados, de uma forma que não faz o ouvinte sentir que está atrapalhando bate-papo de amigos, mas nos leva junto na conversa de um jeito bem pessoal.
Chris Tucker Live. (logado no Letterboxd em 02/11/2023)
Dei play por memória afetiva desse ator/comediante que conheço desde a infância, naqueles filmes de ação/comédia que passavam no SBT, principalmente A Hora do Rush, fazendo dupla com Jackie Chan. Assim como Owen Wilson, tentei acompanhar a carreira dele por ter pego simpatia dos filmes que atuou junto com o chinês (Jackie Chan tinha uma química tão boa com ele quanto com o Owen Wilson, e eu esses bromances me davam muita felicidade na época).
Mas infelizmente Chris Tuker não teve uma carreira nos cinemas tão prolífica e bem sucedida quanto o loirinho de nariz quebrado, que na verdade teve mais sorte do que talento em estar duas trupes bem legais que alavancaram sua carreira: a trupe de arte do Wes Anderson, onde foi protagonista em três deles (Bottle Rocket, Vida Marinha, Viagem a Darjeeling), coadjuvante importante nos Tenembaus e pontas ilustres nos demais, já que ele não se encaixou tanto nos métodos cada vez mais rígidos e com menos improviso do diretor hipster; e a trupe Frat Pack, que é um conceito bem amplo já que se diluiu em várias vertentes e que consistia na galera Ben Stiller, Vince Vaugh, Will Ferrel, e que mais pra frente passou o bastão pra turma do Judd Apatow.
Voltando ao Chris Tucker, não dá pra dizer que ele teve um grupo tão legal pra chamar de seu, e infelizmente o cinema negro americano não se uniu mais nem se consolidou com uma boa cena pra fazer frente ao Frat Pack. Chris Rock achou a turma do Adam Sandler por exemplo, Os irmãos Wayans eram "autorais" demais (se é que me entende) com sua patota mais fechada, e a maioria se firmou na tv com seus programas isolados como Dave Chappell (show homônimo) e Tracy Morgan no 30 rock. Seria um sonho alguém com grana como o Tyle Perry juntar essa turma, mas ele sempre esteve mais interessado em outros tipos de filme, ou um Eddie Murphy que também tinha outras ambições.
Isso pra dizer que Chris Tucker passou de ser uma sensação no fim dos anos 1990 (Tudo por Dinheiro; o Quinto Elemento; até hoje não vi Friday, que quero muito assistir, mas não achei a oportunidade ainda) e começo dos 2000 a ser escalado como coadjuvante de luxo em produções que muitas vezes nem eram de comédia, sendo muito sub-aproveitado, dando apenas um gostinho de sua aparição (fiquei tão feliz em vê-lo no trailer de Air do Ben Affleck, e no filme em si suas cenas eram legais por ele estar em tela, demonstrando a força de sua presença).
Então essa foi minha motivação em dar play no seu especial de comédia original Netflix, na vontade de ser um show de stand-up (uma lacuna pra mim já que me interesso tão pouco pelo formato) e por não ver nenhum nome que me trouxesse mais afinidade do que o dele.
E o show é muito bom no sentido de fazer a gente matar a saudade de seu talento, de admirar suas imitações, sua comédia corporal que era algo que eu não sabia que ele fazia tão bem, seu poder vocal na hora de cantar, e o timing de contar historinhas pessoais esticando e fazendo render pra caramba, já que o material não é exatamente um primor, naquele estilo Bill Cosby (não vou me desculpar de mencionar o cara), só que com menos minimalismo, mais ênfase e espetáculo. Acho que na época (2015) não tinha saído ainda aquele documentário sobre as vítimas do Michael Jackson e por isso ele elogia o ídolo sem concessões, com ótimas histórias (que dane-se se não forem verídicas) e imitações da figura. Também muito legal ouvir sobre sua infância. Enfim, um show bem escapista, sem grandes comentários sociais como virou padrão de uns anos pra cá, sem grandes revelações sobre o cotidiano, mas com grande domínio sobre sua própria área, suas vivências e pessoalidade.
Já disse que não sou muito apreciador do formato e provavelmente Chris Tucker faz coisas que outros comediantes fazem melhor, mas ele é o Chris Tucker, uma estrela subestimada que não está tanto em evidência como eu gostaria.
Filmes
Blonde (logado no Letterboxd em 07/02/2023)
É como se o Leo Dias tivesse aprendido a dirigir com André Janones.
Ainda não sei o que exatamente as pessoas que acompanho pensam desse filme, não vi nada nem antes de assistir pra não direcionar meu olhar, nem depois, pra tentar ter minha opinião o mais livre de interferências extra-filme possível, mesmo assim ainda ouvi um certo barulho negativo, vi gente dizendo que é tudo culpa do Sam Levinson, gente dizendo que Marylin não merecia isso, etc. Ainda pretendo ouvir todos os podcasts, ver os essays e ler os argumentos que eu perceber relevantes e bem embasados, porque essa é uma bomba que foi jogada e acho que merece ser discutida, e se a conversa caminhar no rumo da razão, tem muito a acrescentar à Arte e à Sociedade.
Cada imagem muito bem trabalhada, show de direção de arte e fotografia, mas não quer dizer que é bonito de se ver. A estética digital da netflix não ajuda muito porque esse filme pede um granulado. Infelizmente os tempos são de escassez e temos que nos virar com o que tem.
O filme não tem medo de ser pomposo, de ser pretensioso por quase 3 horas de drama adulto (NC-17, nudez, sexo e violência. Uma trivia do imdb disse que a última vez que essa classificação foi lançada em larga escala foi Showgirls, que também gerou muito barulho e dialoga em certo nível com Blonde) de uma pessoa super famosa, recriando imagens icônicas com a intenção de reescrever o imaginário coletivo (enquanto escrevia eu li a crítica de Tuoto e Furtado dizendo que ele não reescreve nada, mas mais usa o imaginário coletivo à favor ou contra); de ser soberbo: mudança de razão de aspecto e paleta de cores de uma cena pra outra com a intenção de amarrar a tenra infância com seus últimos momentos de vida; moralista, por condenar o sistema de entretenimento onde homens mandam e fazem o que querem; é manipulador pra gente ter dó mesmo da coitada, se compadecer dela e odiar hollywood que tanto gostamos, inclusive revisitando um filme que amo que é Quanto Mais Quente Melhor, querendo dizer que meu divertimento foi às custas de um ser-humano, e que essa máquina de ilusões não passa de um moedor de carne, e também tem o CGI de feto que é sacanagem; sensacionalista pra caramba por criar fatos em que nomes famosos envolvidos com Marylin contribuíram para sua degradação e ainda inserir a falta de um pai pra poderosa musa.
Esse filme não é para amadores, mas pra quem entende que essa exploração é manipuladora sim e que às vezes nós precisamos de um choque pra mexer um pouco com nossa sensibilidade. Não é pra discurso raso que diz que o filme é contra a escolha da pessoa grávida (anti-choice) ou que o filme está falando mal do JFK, e infelizmente o fácil acesso faz pensar que a obra é pra todo mundo, que tem que pegar no colo o telespectador e educar sobre a vida e o mundo cruel, mas sem dar gatilhos em traumas. Gente! levem à sério a classificação indicativa dos filmes, existem sites de recomendação de gatilhos, vão atrás deles que fazem um belo serviço à sociedade.
Quero defender o direto de mau gosto desse filme.
"Ai, mas ela não merecia um filme desses que só mostra sofrimento". Olha, acho que ter morrido tão jovem e vivido tudo o que sabemos que viveu foi um problema bem maior do que uma obra posterior que denuncia isso, mesmo que use métodos tão difíceis de agradar geral. E talvez eu dê créditos ao filme justamente por isso. (Eu sei que isso não é argumento)
Impressionante como nem parece ser o mesmo diretor de O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford, mas acho que os sinais disso daqui já estavam lá, como por exemplo a provocação de que nós amamos assassinos e assassinatos, que isso faz parte de nossa história e é o que formou o consciente coletivo os Estados Unidos, e no caso de Blonde, testemunhamos seu estrelato e forçamos sua decadência sem imaginar que isso a mataria. Digo nós porque nenhum setor da nossa sociedade estendeu a mão para salvá-la.
Tudo o que o filme retrata parece absurdo porque conseguimos refletir melhor sobre o status do artista nas nossas vidas, sabemos como humanizá-los, e por mais distante que ainda nos encontremos do ideal, somos mais perceptíveis da nossa misoginia, mas o filme não deixa de ser um grande alerta, um retrato para nos inspirar a tomar mais cuidado com pessoas sendo expostas, cuidado com a imagem delas, e como o show bussines pode ser cruel.
Sou muito a favor de fazerem quantos filmes da Marylin Monroe forem precisos. Da próxima que seja uma comédia de empoderamento. Tem espaço pra todo mundo, gente.
The Woman King (logado no Letterboxd em 21/10/2023)
Dois pensamentos fortes e até um pouco contraditórios que tive aqui:
Dá um certo incômodo ver mulheres se sacrificando tanto em favor de um melhor desempenho em combate, mas quando o mesmo tipo de filme é feito com homens parece muito mais palatável e até satisfatório assistir tais proezas. É aquela ideia de que homem é mesmo um ser auto destrutivo e a gente leva isso como fato incontestável, mas quando é com mulheres o que vem à mente é "que degradação da humanidade, que horrível nossa sociedade precisar ter guerras e pessoas dispostas a morrer por qualquer coisa que seja". Aí fico na dúvida se a gente deveria ser mais acostumado a ver mulheres colocando seus corpos no limite em lutas violentas (porque não tem a ver exatamente com virilidade feminina) ou se devemos repensar todo nosso prazer pelo cinema de ação e questionar toda e qualquer violência que vemos em tela. Me desculpa mulheres, mas prefiro a primeira opção, porque amei ver mulheres em batalha e tive a mesma empolgação exploitations dos filmes de batalha masculinos, exceto pela reflexão mencionada e pela classificação indicativa que em um filme "de homens" seria inquestionavelmente para maiores de 18 anos.
Agora sobre a história contada, eu não conheço absolutamente nada dos fatos históricos que inspiraram o filme, mas parece que aqui tem um certo otimismo, uma pitada de fantasia quanto ao final, quanto às ideologias do rei vindas de uma mulher guerreira, tanto no que diz respeito ao dividir um trono quanto à ideia de "vamos parar de ganhar dinheiro vendendo pessoas para europeus". É verossímil que em algum ponto isso foi mesmo considerado em algum império africano, mas o filme dá uma falsa esperança de que tal movimento foi forte suficiente para ter impedido em algum grau a devastação horrível que a escravidão causou na humanidade e ao continente africano. Dá um pouco de tristeza ver esse otimismo do filme em comparação ao que sabemos, como povo americano e afrodescendente, ao que ocorreu de fato. Fiquei deprimido demais assistindo isso daqui, ainda mais ao ver que o filme queria me entreter como um produto hollywoodiano.
É ótimo o filme ser produzido, escrito, dirigido e atuado por afrodescendentes porque pelo menos certas pessoas se sentem confortáveis em tocar nessa história tão horrível que vivemos, e a tentativa de tomar o controle da narrativa, escrever a história sobre uma nova perspectiva e até se entreter com isso são maneiras de lidar com o passado que precisa ser ensinado, então apoio demais a coragem dos envolvidos e envolvidas no projeto. Talvez o filme sirva como um elemento novo que ajude a criar um movimento diferente e influencie nossa maneira de lidarmos com essas histórias tão tabus no mundo do entretenimento, mas hoje, A Mulher Rei não deixa de ser uma obra tão estranha e discrepante ao cenário filmográfico ocidental.
The Creator (logado no Letterboxd em 03/10/2023)
Gostei de ter visto no cinema, legendado e com mais ninguém na sala.
É chato que tudo é uma metáfora de algum assunto importante da atualidade, o que já deixa o filme datado, diferente do metafísico Blade Runner, mas mesmo assim suscita umas reflexões diferentes como "não somos melhores que nada do que a gente cria" ou "nós também somos criaturas"; tem uma hora que o garoto lê na bíblia eletrônica que a mulher foi tirada da costela do homem, e penso que o filme quer dizer "hoje reconhecemos a equidade da mulher e do homem, mesmo que há um tempo acreditamos que ela era um ser inferior, e podemos fazer o mesmo com os robôs", mas isso que me irrita pois mulheres não são robôs e nem vieram da costela de homens; orientais não são robôs; pessoas trans não são robôs, e por que raio esse filme não fala de robôs, não tenta pirar na ficção científica da possibilidade de realmente convivermos com robôs. Parece que o filme quer ser aceito no twitter e ser sobre outra coisa, assim como os filmes de terror hoje fazem. Filmes de et's não são sobre et's, zumbis não são sobre zumbis, fantasmas não são sobre fantasmas, bruxos não são sobre bruxos como era antes. "Ah, antigamente..." é chato falar isso, mas façam melhor então!, e caso queira falar sobre a causa dos nativos colonizados, não precisam gastar 300 milhões de dólares e chamá-los de Na'vi (e eu amo Avatar).
Aí essas reflexões do filme Resistência parecem rasas porque querem atirar pra todos os lados, mas ok, de certa forma o filme propõe essa reflexão fazendo a gente como ser-humano diminuir nossa bola da "pérola sagrada da criação" e nos colocar no nível de objetos que fazem tudo melhor que a gente.
Achei ótimo os Estados Unidos serem os vilões escancarados. O filme poderia ser sobre qualquer coisa e qualquer contexto, mas essa temática de resistir contra uma força opressora mais poderosa é maravilhosa. Outra coisa que faz a gente se perder um pouco nesse universo: no nosso imaginário os robôs já estão há muito tempo à frente da capacidade humana, e por que raios aqui eles são o underdog, os oprimidos, etc? Meio ridículo esse contexto. Aí você fazendo várias concessões mentais como "não é sobre robôs, é sobre outra coisa" a gente consegue gostar do filme.
Dito isso, gostei de várias coisas, de quase todo o resto na verdade. Às vezes fico bolado com esse diretor que traz um tom solene demais como fez em Godzilla, mas amei quando ele fez isso em Rogue One e eu gosto disso aqui, embora alguns conceitos sejam tão fantasiosos que fica um pouco ridículo toda melancolia, pedindo um pouco mais de cinismo como em Minority Report ou leveza como em AI (filmes que me vieram à mente). É demais pedir pro coitado ser um Spielberg, e um pouco lamentável não termos ninguém dessa geração que seja (sob debate, é uma outra conversa), embora recursos e pessoas criativas pra construir um mundo tão cinematográfico não falte.
Fiquei com vontade de rever Godzilla, porque Edwards parece ter uma veia autoral que tenta saltar nessas super produções, como "um casal cheio de problemas em tempos complicados". O final de Resistência lembra demais o final de Rogue One, por exemplo, e ele tem um jeito de filmar cenas de ação que parece um pouco distante, um pouco protocolar, sem vontade de se divertir com isso, o que é um problema pra esse tipo de filme que ele faz, mas que parece não querer te distrair da sua história ou tema.



